domingo, 2 de abril de 2017

Diagnóstico por Imagem através da PET/RM

A informação obtida através da PET é importante, pois o metabolismo bioquímico e a função de órgãos e tecidos podem determinar se eles estão doentes ou saudáveis. Geralmente, a PET pode detectar uma função anormal antes do início dos sintomas. Essa habilidade de detectar doenças nos estágios iniciais e de medir a resposta do tratamento pode ajudar o médico a planejar o curso de  um tratamento mais adequado para cada paciente. 
A PET/RM é a fusão da tomografia por emissão de pósitrons junto com a ressonância magnética, ambas tem uma importância primordial para o diagnóstico rápido e preciso em qualquer paciente. A PET com sua sensibilidade faz detecção de alterações metabólicas, porém apresenta uma resolução espacial limitada proporcionando uma baixa especificidade anatômica das estruturas visualizadas na imagem. Já a RM apresenta uma boa resolução espacial que permite avaliar estruturas anatômicas dos tecidos moles com excelente contraste. Sendo assim, consegue-se um importante estudo funcional e fisiológico pela PET com excelente detalhamento anatômico por RM simultaneamente. 
Esses aparelhos possuem em sua estrutura a chamada tecnologia híbrida que consiste em dois sistemas de geração de imagens em apenas um aparelho, permitindo na aquisição a realização da fusão das imagens (co-registro das imagens anatômicas e funcionais). 




Equipamento de PET/RM: sistemas de aquisição independentes. 


Aparelho híbrido de PET/RM: sistemas de aquisição integrados (Fonte: Governo de São Paulo, 2016). 

Basicamente, existem três maneiras de integrar o PET com a RM: os aparelhos PET e RM independentes ficando em salas distintas. A integração das imagens é feita por programas especializados, gerando, assim, uma flexibilidade, já que os sistemas podem ser usados separadamente; com imagens sequenciais realizadas em aparelhos distintos, só que neste caso, o paciente fica na mesma mesa de exame, sendo as imagens transferidas entre as máquinas; por último por sistemas híbridos completamente integrados, em que se realiza a aquisição simultânea das imagens. Por exemplo, em uma única posição de mesa, nem o paciente, nem a maca movimentam-se. 
Dentre as inúmeras aplicações clínicas, destacam-se doenças neurológicas degenerativas, patologias oncológicas e cardiovasculares. 
A PET/RM é uma técnica de imagem que permite a avaliação e o diagnóstico precoce do déficit cognitivo/demência de memória similar à doença de Alzheimer, sendo uma ferramenta muito importante para identificar os pacientes portadores e determinar um tratamento mais precocemente possível. 
A fusão de imagens estruturais da RM e metabólicas PET é uma técnica relevante na correta classificação dessas demências. 
É também aplicada na detecção de focos epilépticos em pacientes que não respondem o tratamento medicamentoso. O estudo é feito medindo-se as alterações da captação do radiofármaco fluordesoxiglicose (18F-FDG) pelo encéfalo nas regiões afetadas. A PET/RM permite detectar focos epilépticos no cérebro independente do paciente apresentar ou não uma crise durante o exame. 
Diferenciar clinicamente as síndromes parkinsonianas nos estágios iniciais pode ser muito difícil. Exames morfológicos como a tomografia computadorizada (TC) e a ressonância magnética (RM) são normalmente usados para excluir outras causas que podem estar levando ao parkinsonismo. A PET-FDG pode ser usado nos casos duvidosos. 

Comparação dos aspectos das imagens fisiológica PET e estruturais por RM e TC. 


Imagens anatômicas por RM, fusão das imagens co-registro PET/RM e imagens fisiológicas pela PET do cérebro em plano sagital (Fonte: Site medicalphysicsweb.com).


Determinação de focos epilépticos nas imagens do cérebro pela PET/RM (Fonte: Revista Diálogos Interdisciplinares, 2015). 






Fonte: A Utilização do PET/RM no Diagnóstico por Imagem (com adaptações). 

















sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

A irradiação de células sanguíneas

Uma das formas de aplicação da radiação na medicina é a irradiação do sangue com raios gama. Esse método é usado no sangue a ser ministrado em pacientes que tem deficiência imunológica. Entre outras coisas, o tratamento com a radiação diminui a quantidade de linfócitos T (células de defesa) no sangue doado, o que reduz em muito no paciente o risco de rejeição do órgão ou do tecido transplantados.

Foto ilustrativa bolsa de sangue. 

A irradiação por radiação gama é capaz de assegurar a qualidade do sangue usado nas transfusões para pessoas imunodeficientes, que podem apresentar incompatibilidade com as células de defesa imunológica do doador. A irradiação é feita com equipamentos irradiadores específicos para emitir raios gama a partir de uma fonte de Césio-137. 
O método de irradiação é necessário para evitar uma possível reação rara, mas fatal, conhecida como doença enxerto-versus-hospedeiro associada à transfusão de sangue, que ocorre em pacientes com deficiência imunológica, como é o caso de pessoas que receberam transplantes ou tem algum tipo de leucemia. 





Fonte: Revista Ciência Hoje (com adaptações). 





domingo, 29 de maio de 2016

Atuação do Tecnólogo em Radiologia como Aplicattion

A área da saúde vive em consonância com as tendências e inovações tecnológicas, devendo haver sempre uma preocupação com a qualidade e atualização de conhecimento para permitir o atendimento das contínuas modificações do mercado de trabalho. 
Os profissionais das técnicas radiológicas não podem fugir dessa realidade, pois a automatização dos equipamentos, envolvidos na realização das técnicas com radiações ionizantes, permite um rápido crescimento na inovação da tecnologia envolvida neste setor de mercado, garantindo que os serviços possam oferecer, de maneira contínua e crescente, novos postos de trabalho para estes profissionais. 
O Tecnólogo em Radiologia que atua em clínicas de radiodiagnóstico, hospitais, laboratórios, universidades, indústrias, em empresas fabricantes e distribuidoras de equipamentos hospitalares, é portanto, um profissional capaz de executar atividades que utilizam radiação ionizante, acompanhando a complexidade dos avanços tecnológicos aplicando todo o conhecimento em física das radiações e radioproteção, em operação de equipamentos e na realização dos parâmetros nos exames e no manuseio dos softwares de diagnóstico por imagem. Possui um considerável domínio em matemática e informática, interligando ciências exatas e ciências biomédicas para a execução de procedimentos que envolvem a aquisição e formação da imagem nas diversas modalidades da imagenologia e de técnicas de radioterapia e medicina nuclear.


Fonte: Imagem site Hospital Monte Sinai. 


A Radiologia aprimorou-se muito no decorrer dos últimos anos, desenvolvendo equipamentos de última geração para procedimentos diagnósticos, invasivos e terapêuticos, a tecnologia digital impulsionou significativamente a qualidade das imagens e consequentemente a precisão no diagnóstico. A evolução concomitante dos processos de imagem e da computação médica proporcionou o surgimento de um novo perfil profissional chamado "Aplicattion".
A atuação como "aplicattion" é um dos campos de trabalho do tecnólogo em radiologia, é caracterizada pela atividade profissional desenvolvida por indivíduos contratados por empresas fornecedoras de equipamentos médicos com o objetivo de capacitar a equipe do setor que irá trabalhar com a nova tecnologia adquirida (softwares, equipamentos e protocolos de exames), além disso, este profissional pode atuar na comercialização dos equipamentos e realizar serviços de consultoria relacionados ao funcionamento dos aparelhos em clínicas e hospitais. 


Aplicattion treinamento na operação de novos aparelhos e softwares de imagens médicas. (Fonte: Imagem site Inovapar GE Healthcare). 


A Resolução nº. 02/2012 do CONTER/CRTR's, Conselho Nacional de Técnicos e Tecnólogos em Radiologia, atribui como área de trabalho do tecnólogo em radiologia:

" - Atuar nas funções de treinamento e aplicattion, no âmbito da radiologia e diagnóstico por imagem". 








sexta-feira, 18 de março de 2016

A Neutrongrafia como novo método de inspeção por imagem

A neutrongrafia, semelhante a outras técnicas radiográficas, consiste em um feixe de radiação (feixe de nêutrons) que atravessa um determinado objeto e sensibiliza um sistema de registro de imagem. Os nêutrons podem ser obtidos por fontes naturais como o Califórnio-252 que produz nêutrons por processo de fissão e o Amerício-Berílio (Am-Be) que o produz através de uma reação nuclear.
Os nêutrons podem ser obtidos em geradores e reatores nucleares que proporcionam maior intensidade e fluxo no feixe de nêutrons.
A forma como os nêutrons interagem com a matéria, no entanto, difere totalmente como os fótons X ou gama interagem. Enquanto fótons interagem com os elétrons orbitais dos átomos, nêutrons o fazem com os núcleos. 
A neutrongrafia permite avaliar materiais mais leves que não atenuam raio X ou gama como o hidrogênio, o boro, berílio, lítio, nitrogênio e o oxigênio, podendo penetrar também outros materiais muito mais pesados.


Figura 1: Técnica de neutrongrafia (Fonte: Luciano Santa Rita). 


A neutrongrafia é uma técnica utilizada para ensaios não destrutivos (END) que são ensaios realizados em materiais para verificação de existências ou não de descontinuidades ou defeitos, sem alterar as características físicas, químicas, mecânicas ou dimensionais da amostra sem interferir em seu posterior uso. 
Os ensaios não destrutivos são amplamente utilizados para a verificação de fissuras internas em tubulações metálicas, em manutenção de soldas, nas indústrias de petróleo, naval, aeronáutica e automobilística. 
O contraste neutrongráfico entre materiais nas imagens obtidas é função da diferença entre as seções de choque dos materiais constituintes. Por isso, quando se realiza um ensaio neutrongráfico com nêutrons térmicos de objetos contendo hidrogênio em sua composição, sua imagem é revelada, mesmo quando encapsulado por metais pesados, como o chumbo e aço. 
Para a obtenção das imagens é necessária uma fonte de nêutrons, um colimador, um objeto a se inspecionar e um detector plano. O objeto é posicionado entre a saída do colimador e um detector, que registra a imagem bidimensional da amostra (como demonstra a figura acima). 
A imagem registra as informações sobre a intensidade do feixe de nêutrons que foi atenuado ao atravessar o objeto, dependendo da composição e da estrutura interna dele.


Figura 2: Neutrongrafia: sistema eletrônico de imageamento (Fonte: Luciano Santa Rita). 





Neutrongrafia utilizando CCD   (Fonte: Universidade Federal do Rio de Janeiro). 




Figura 3: Radiografia de uma câmera fotográfica  Raios X (a)  x  Nêutrons (b).  (Fonte: Luciano Santa Rita).


A radiografia por feixe de nêutrons é também utilizada na detecção de drogas e explosivos através de um sistema de detecção da radiação eficiente, por inspecionar uma grande quantidade de amostras com rapidez, sensibilidade, especificidade e decisão automatizada, utilizando feixes de radiação com grande poder de penetração. A inspeção por neutrongrafia permite uma grande precisão na detecção de drogas mesmo que ocultas por materiais pesados. 
Um equipamento de neutrongrafia industrial projetado para inspeção em tempo real, pode proporcionar o controle de bagagens automaticamente no que se refere a explosivos, armas, drogas, e material nuclear levados por passageiros em trânsito. Esse método beneficia os trabalhos intensivos de apreensão desses materiais, que geralmente veem ocultos por outros com o propósito de mascarar uma vistoria não automatizada. No caso  do controle de drogas, como o material constituinte é orgânico e, portanto, rico em hidrogênio e carbono, mesmo se escondido em materiais pesados, pode ser detectado não destrutivamente, por neutrongrafia. 
Além de aeroportos, portos, estações rodoviárias e ferroviárias, o método de inspeção por neutrografia também pode ser utilizado pelos Correios, por onde passa uma grande quantidade de volumes num curto espaço de tempo. 



Figura 4: Cocaína em pasta (1) oculta por espessura de 5 mm de ferro (3)  (Fonte: PEN/COOPE/UFRJ). 




Figura 5: Cocaína em pó amostras (1) e (2) ocultas por uma espessura de 10 mm de chumbo (4) (Fonte: PEN/COOPE/UFRJ). 




Fonte: Revista CONTER com adaptações.